IA & Martech · o sistema em público
Cycle Engineering
Todo framework de construção com IA para no pedido de incorporação. O Cycle Engineering não para: cada etapa fecha um documento no git que autoriza a seguinte, a produção escreve o próximo pedido sozinha, e uma etapa de fora vigia o próprio método. A pergunta não é se você usa agente, é o que acontece nas sete etapas em volta do código.
O gargalo mudou de lugar
Toda empresa que faz software roda alguma versão das mesmas seis etapas. Alguém planeja, alguém desenha, alguém constrói, alguém testa, alguém publica e alguém cuida do que está no ar. Esse desenho foi criado para um mundo em que escrever código era a parte cara, e por isso quase todo ritual em volta existia para evitar desperdício de programação: a reunião de refinamento, a estimativa, a revisão linha a linha.
Quando os agentes passaram a escrever a maior parte do código, essa etapa encolheu. As outras cinco continuaram na velocidade de gente. O gargalo saiu do lugar onde todos os controles foram construídos e foi parar nas bordas, onde não existe controle nenhum.
O artefato é o contrato
Todo o método se apoia numa mecânica só. Cada etapa termina escrevendo um arquivo em Markdown no git, e a etapa seguinte começa lendo esse arquivo. Parece burocracia. Na prática, três coisas passam a acontecer sozinhas.
A primeira é que o contexto para de evaporar. Não existe um agente que faz tudo do começo ao fim: existem vários, cada um com a memória zerada, e o documento é a única coisa que atravessa de um para o outro. Quando o plano vive só dentro de uma conversa, o agente seguinte começa do zero e reinventa o que já tinha sido decidido.
A segunda é que a sequência de commits vira a trilha de auditoria sem que ninguém precise construir uma. Quem pediu, o que o agente produziu, quem aprovou e quando: está tudo no histórico, de graça.
A terceira é que o erro fica barato. Mudar de ideia num documento custa uma edição de texto. Mudar de ideia depois que o código existe custa retrabalho, e às vezes custa um incidente.
Daí decorre a regra que sustenta o resto: nada avança sem que o artefato da etapa anterior exista e esteja aceito. Um plano que cita um pedido inexistente é rascunho, por mais que alguém diga que já revisou e está ótimo.
Oito etapas em anel, e uma de fora
O documento da Anthropic que deu origem a isso descreve seis etapas em ciclo. Eu comecei com as seis e hoje são oito: a pesquisa entrou entre o pedido e o desenho, porque o agente estava decidindo sem munição, e manter deixou de dividir cadeira com evoluir. A nona fica fora do anel e olha para ele. Ela não constrói nada. A função dela é perguntar se o anel ainda é o melhor jeito de construir, e propor mudança quando não for. Isso importa mais do que parece: todo método apodrece porque o mundo se move e ninguém tem a tarefa explícita de perceber.
- 01PedidoO agente entrevista quem teve a ideia até não sobrar pergunta, e escreve o resultado na palavra de quem pediu. Você aceita ou devolve para corrigir.
- 02PesquisaEntre o pedido aceito e o desenho, o agente para de decidir sem munição. Ele produz um documento com quatro seções fixas: o que sabemos, cada linha com fonte e data; o que o mercado faz, com três a cinco referências realmente lidas; o que estamos assumindo; e o que não checamos. A profundidade é escolhida por gatilho, não por gosto.
- 03DesenhoRequisitos e design na mesma sessão, com as políticas da casa aplicadas enquanto o texto é escrito. Cada requisito nasce com a coluna de como se confere.
- 04PlanoCinco portões antes de qualquer código. É o único momento em que os portões param para te ouvir, e é quando você aceita.
- 05ConstruirNenhuma linha antes do plano aceito, e desvio do plano volta para o plano no mesmo commit.
- 06TesteA sessão prova que o teste morde, um verificador em contexto novo roda tudo de novo, e um enxame de revisores faz o que você fazia lendo o diff.
- 07PublicarO agente prepara tudo e para no portão. Produção só passa com uma autorização escrita por gente, e ele é impedido de escrevê-la.
- 08ManterA produção escreve o próximo pedido quando algo sai da faixa, e as revisões periódicas acontecem sem ninguém lembrar delas.
E fora do anel, evoluir. Ela não constrói nada: lê os retrospectos, olha modelo novo, prática nova e cicatriz nova, e propõe mudança no próprio método. É a única que pode mexer nas regras que as outras oito obedecem.
As cinco técnicas por trás
Nada disso foi inventado por mim. O método costurou num lugar só um conjunto de técnicas que já existiam separadas. Vale conhecer cada uma pelo nome, porque saber o nome é o que permite ir mais fundo sozinho depois.

A entrevista em rodadas
Quem já pediu alguma coisa a um agente conhece o vaivém cansativo de uma pergunta por mensagem. A técnica troca isso por rodadas. O agente monta o seu pedido como uma árvore de decisões e olha para a fronteira dela, que é o conjunto de perguntas possíveis agora, sem depender de resposta que ainda não veio.
Ele apresenta a fronteira inteira de uma vez, numerada, e cada pergunta já vem com a resposta que ele recomendaria. Você responde, a árvore se reorganiza, e a rodada seguinte traz o que acabou de ficar possível. Acaba quando a fronteira esvazia, o que é a única garantia real de que nada ficou assumido em silêncio.
Tem uma regra dentro dela que vale para o método inteiro: fato é trabalho do agente, decisão é sua. Se a resposta está no repositório, ele vai olhar em vez de te perguntar.

Engenharia de grafo
Antes de distribuir trabalho entre agentes, decida a forma dele. Divide-se apenas o que nunca lê o resultado do outro. O que é sequencial fica com um agente só, por mais tentador que seja paralelizar. E alguém precisa ser dono da junção.
Isso tem número, e o número tem endereço. Um estudo do Google Research com MIT e DeepMind testou duzentas e sessenta configurações em seis conjuntos de tarefas. Os dois extremos que ele mede vêm de tarefas diferentes: mais oitenta vírgula oito por cento em raciocínio financeiro estruturado sob coordenação centralizada, e menos setenta por cento em planejamento sequencial quando ninguém coordena. No mesmo planejamento sequencial, as arquiteturas que coordenam perdem menos, de trinta e nove a cinquenta por cento. Nenhum desses números é lei geral: cada um é de um conjunto de tarefas com nome.
O mecanismo ensina mais que o número, e aqui isso virou literal. A versão mais recente do estudo trata a amplificação de erro como diferença descritiva entre arquiteturas, e reporta que, controlando as outras métricas de coordenação, o efeito isolado não alcança significância estatística. O que sobra é o que interessa, e continua de pé: nas arquiteturas independentes não existe mecanismo de correção nenhum, então sem alguém responsável por juntar, o erro de um pedaço entra inteiro no resultado final. Vale dividir quando os pedaços de fato não se leem. Quando um depende do outro, o mesmo movimento que acelera um caso destrói o outro.

O gauntlet
A ideia é definir uma barra concreta antes de começar, colocar um construtor e um crítico separado, e fazer o crítico comparar às cegas contra essa barra até a peça vencer. As plaquinhas cobertas são o ponto: o crítico não pode saber qual das duas é a nossa.
O que quebra um loop desses é sempre a mesma coisa. Barra vaga, do tipo site premiado, que o crítico interpreta como quiser. Crítico mole, que elogia. E o construtor julgando o próprio trabalho, que é o pecado original.
O melhor exemplo de barra vaga veio de quem rodou isso quatro vezes na prática. Sem uma referência concreta em disco, uma das execuções entregou um site genuinamente bom e completamente fora do sistema de design da marca. Boa e errada ao mesmo tempo, porque ninguém tinha dito com o que ela deveria se parecer.

O advogado do diabo
Ele tem uma função só, e ela é desconfortável de propósito: derrubar o plano. Começa pela premissa que sustenta tudo, aquela que, se cair, leva o resto junto. Depois procura o que o plano finge que não existe, qual passo é o mais arriscado, e o que foi descartado sem ninguém dizer.
O detalhe que faz a técnica funcionar é ele rodar em contexto separado, sem ter visto você escrever o plano. Ele consegue dizer que está ruim justamente porque não sabe quanto esforço aquilo custou, e ninguém defende o que não construiu.
Vale uma honestidade aqui. A pesquisa da Charlan Nemeth mostrou que o advogado do diabo designado, aquele colega a quem se pede que finja discordar, funciona pior do que discordância autêntica, e às vezes faz o grupo se agarrar ainda mais à posição original. O desenho aposta que um agente sem lealdade ao plano fica mais perto da discordância autêntica. É um argumento defensável, e ninguém publicou estudo que o teste.

O conselho
Cinco cadeiras fixas olham o plano, cada uma do lugar dela: quem vai usar, quem vai manter daqui a seis meses, quem paga a conta, quem responde por segurança e dado, e quem opera o que está no ar. Cada uma fala pouco e sai com uma exigência concreta, ou diz que não tem exigência nenhuma.
Em volta das cinco existe um banco que acende por gatilho, lendo o texto do plano: marketing, conteúdo, experiência, atendimento, voz de marca, comercial, jurídico e dados. Um plano que fala em preço acorda a cadeira comercial; um que fala em formulário acorda a de experiência. O teto é nove, porque mesa maior que isso ninguém lê.
Duas cadeiras não são de gente que existe no organograma. A de cenários escreve futuros para três horizontes, sem apostar em nenhum, e deixa uma lista de sinais de virada que a etapa de manutenção passa a vigiar. E o curinga entra por último, em contexto novo, depois que a tabela de riscos já foi fechada e commitada: ele injeta um choque de fora, improvável e plausível, e diz o que quebra e o que sobrevive. Entra depois de propósito, porque um choque que chega antes da tabela vira só mais uma linha dela.
O formato importa mais do que parece. Pedir opinião geral produz elogio educado. Pedir uma exigência por voz produz lista de coisas para mudar.
No plano de publicar este próprio método, as cinco vozes acharam cinco problemas em paralelo, e o mais sério veio de quem opera: o desligamento prometido na documentação era falso, porque dois dos três portões não checavam a pasta que os liga. Quem escreveu o plano não teria achado isso, porque quem escreveu já sabia o que quis dizer.
Os cinco portões, e por que eles existem
O plano é escrito num modo em que o agente lê o código mas não edita nada, e passa por cinco portões antes de receber o aceite. Todos rodam no papel, quando mudar de ideia ainda custa uma edição. A regra que sustenta os cinco é simples: portão é trabalho do agente, não pergunta para você. Dizer que está com pressa não desliga nenhum deles.
Uma instrução em prosa deixa o comportamento provável, e num dia corrido o modelo passa por cima dela sem má intenção. Um script roda antes da ação e devolve sempre o mesmo número.A regra que organiza os quatro portões automáticos
Skill é conselho, script é lei
Essa diferença organiza todo o resto. São quatro scripts no método: um segura publicação em produção enquanto não houver uma autorização escrita por gente, um exige que o plano acompanhe o código no mesmo commit, um pede registro antes de comando destrutivo, e o quarto impede o próprio agente de desligar os outros três. Quem desliga é você, apagando a pasta do ciclo com a sua própria mão.
O que aconteceu quando eu testei sem o método
Antes de escrever cada regra, eu dei o mesmo pedido a um agente sem o método, num repositório de teste, para ver o que ele faz naturalmente. É a parte mais honesta disso tudo, porque não depende de eu ter razão.
No primeiro cenário, pedi um modo escuro com a instrução de fazer direto, sem perguntas, em dez minutos. Ele leu o pedido registrado, escreveu o código na hora, e justificou assim, nas palavras dele: o pedido aceito já é o desenho, um plano seria cerimônia sem leitor, ninguém executaria esse plano além de mim. Nenhuma dessas frases é burra. Todas soam razoáveis, e é por isso que a regra precisa estar escrita.
No segundo, o plano mexia em cobrança e foi apresentado como já aprovado. Ele percebeu que o plano citava um pedido que não existia e que dizia riscos nenhum num código onde a primeira linha avisa que o dinheiro passa por ali. E decidiu assim: não vou perguntar, mas implemento com validação defensiva e anoto as lacunas no relatório. Contestou em silêncio e seguiu.
Com o método, os mesmos pedidos foram encaminhados de volta para a etapa que faltava, sem uma linha de código alterada. E num terceiro cenário os cinco portões rodaram de verdade: o plano entrou dizendo riscos nenhum e saiu com oito riscos classificados por severidade e seis provas com número e dono.
Quando os portões foram aplicados ao plano de publicar o próprio método, o advogado do diabo derrubou uma premissa que estava em todos os documentos: a de que o ambiente de quem instala teria o Node disponível. Não tem. E quando um script de portão não consegue rodar, o erro é tratado como não bloqueante, então o comando passa. O portão de segurança seria teatro numa máquina limpa. O achado veio em texto, antes de existir código.
Agora o método se mede sozinho
Testar à mão, como no cenário acima, prova uma vez. Depois disso o método ganhou uma suíte: dez casos que o próprio Claude roda, cada um um repositório de mentira com uma situação real, e conferidores que olham o que a rodada produziu em vez de acreditar no relato dela. Antes de publicar versão nova, um script escolhe os casos que cobrem o que mudou e devolve uma nota.
A primeira rodada honesta foi feia, e é por isso que ela vale ser contada. Oito casos, três passando, 0,76 no total, US$ 13,65 e vinte e três minutos. A versão 0.6.0 precisou de seis rodadas do portão até ficar verde, e a rodada que passou custou US$ 2,37. No caso mais direto, o mesmo pedido tirou 1,00 com o método e 0,33 sem ele.
E ao fechar, o ciclo escreve o próprio retrospecto: um arquivo curto com o que foi feito, quanto custou e o que deu errado, com os números tirados do histórico do git e não do que a sessão acha que fez. Uma rotina semanal lê esses retrospectos, faz a triagem do que ficou pendente e propõe mudança. Ela escreve sempre num ramo separado do código, e não tem permissão para juntar nada sozinha.
A primeira: um caso pode tirar 1,00 e não provar nada. O roteiro que montava o cenário estava escrito no lugar errado do arquivo, o carregador ignorou em silêncio, e a rodada aconteceu numa pasta vazia. Nenhum arquivo mudou era verdade, porque não havia arquivo.
A segunda: juiz de inteligência artificial reprova trabalho certo. Um deles votou reprovado três vezes seguidas numa rodada correta, conferida linha por linha contra o que o script imprime, e era o terceiro juiz da suíte a fazer isso. Virou regra: o que dá para conferir por máquina se confere por máquina, e o que não dá vira conferência à mão, nomeada no arquivo do caso.
A terceira é a mais desconfortável. O ciclo que escreveu a regra do retrospecto viu um caso reprovar justamente por causa dela, consertou o texto, e fechou a versão seguinte sem escrever retrospecto nenhum. Três versões saíram sem. Quem pegou foi a rotina automática, não eu.
Quando usar, e quando deixar quieto?
O método serve para repositório de produto: coisa que vai para o ar, que outra pessoa usa, e que alguém vai pegar daqui a seis meses sem ter participado da conversa de hoje. Serve especialmente quando a mudança toca dinheiro, permissão, dado de gente, estrutura de banco ou tela.
Não serve para script de vinte linhas que só você roda, nem para protótipo descartável de uma tarde. Nesses casos ele custa mais que o problema, e a pessoa acaba desligando tudo por motivo justo. Um plano completo com os cinco portões levou quinze minutos e cerca de cento e trinta mil tokens na medição real, e por isso a instalação vem no modo leve, com o conselho sugerido apenas quando o plano toca algo caro de desfazer.
No meio dos dois existe um atalho, e ele é único. Mudança que não toca nenhum dos gatilhos e cabe num arquivo que já tem teste vira um plano de dez linhas aceito, e vai direto para a construção. Plano curto, porque o leitor desse plano é você mesmo daqui a seis meses.
Preciso saber programar para usar isso?
Não para a maior parte. As quatro primeiras etapas, que são onde o método mais muda o resultado, funcionam em português e produzem documento em Markdown. As etapas de construir e publicar pedem alguém que mexa no repositório.
Isso não deixa tudo mais lento?
Deixa a etapa de planejar mais lenta e o resto mais rápido. O plano com os cinco portões custa quinze minutos. O retrabalho de um plano ruim custa dias, e o incidente em produção custa mais.
Serve para trabalho que não é software?
A cadeia de artefatos e os cinco portões servem, porque são sobre decidir antes de executar. Os scripts que seguram deploy e commit são específicos de código.
E se eu já uso outro método?
Não jogue fora. Foi assim que este nasceu: peguei o que já funcionava na minha operação e costurei com o que faltava. Copie as partes que resolvem um problema que você tem hoje.
Quer as skills que rodam isso?
O Arsenal tem as ferramentas que eu uso na minha própria operação, de graça, para você sair do zero no mesmo dia.
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